sábado, 7 de maio de 2011

Texto 2 - ARTES - II UNIDADE

REFLEXÕES SOBRE A HISTÓRIA DA MÚSICA:
DA PRÉ-HISTÓRIA À ATUALIDADE

A História da música é o estudo das origens e evolução da música ao longo do tempo.
Até poucas décadas atrás o termo ‘história da música’ significava meramente a história da música erudita européia. Foi apenas gradualmente que o estudo da música foi estendido para incluir a fundação indispensável da música não européia e finalmente da música pré-histórica. Há, portanto, tantas histórias da música quanto há culturas no mundo e todas as suas vertentes têm desdobramentos e subdivisões. Podemos assim falar da história da música do ocidente, mas também podemos desdobrá-la na história da música erudita do ocidente, história da música popular do ocidente, história da música do Brasil, História do samba, história do fado e assim sucessivamente.

A Música através dos tempos:
Povos Antigos: Nenhuma hipótese diz com exatidão o momento em que os primitivos começaram a fazer arte com os sons. Suspeita-se que já as pessoas das cavernas brincavam com os sons e davam á sua música um sentido religioso. Consideravam um presente dos deuses, davam a ela um caráter ritualístico e com ela reverenciavam o sagrado. Ritmavam suas danças com pancadas na madeira. Imitavam os barulhos e os sons da natureza, o sopro do vento, o ruído das águas, o canto dos pássaros. Por fim misturavam palmas e roncos, pulos e uivos, batidas e berros. Certamente assim nasceu a música, a partir da organização de muitos sons. Chama a atenção, no entanto, o fato de a origem da música esteve ligada com a experiência humana com Deus, com o Sagrado.

Idade Média: A música na antiguidade e nos primórdios da Era Medieval tem apenas uma linha melódica cantada e tocada por todos os executantes e é frequentemente chamada monofonia. No início da Idade Média, todos cantavam tanto a música sacra como a profana ou secular (não religiosa) na forma monofônica.
Depois desejaram cantar e tocar uma música mais interessante e mais complexa do que a monofônica. Reuniram duas ou mais melodias, criando um tipo de música chamada polifonia, que significa muitos sons. A polifonia apareceu na Europa mais ou menos no século IX. O contraponto (escrita polifônica) desenvolveu-se nos 800 anos seguintes.

Renascimento: A Renascença, na música, data do século XIV no sul da Europa e de um pouco mais tarde no norte europeu. Os compositores desejavam escrever música secular sem se preocupar com as práticas da Igreja. Sentiam-se atraídos pelas possibilidades da escrita polifônica, na qual cada voz podia ter sua própria linha melódica. A escrita polifônica fornecia oportunidades técnicas para efeitos de grande brilho, que eram impossíveis até então. Uma forma secular de composição, o Madrigal, surgiu no século XIV, na Itália. Os compositores escreviam Madrigais em sua própria língua, em vez de usar o latim. Compositores espanhóis também escreveram obras neste estilo, embora se dedicassem quase essencialmente à composição sacra. Na Itália, Giovanni Palestriona criou o mais importante sistema de escrita polifônica que antecedeu a Bach. Durante a Renascença, a música inglesa atingiu o apogeu. Surgiram grandes compositores madrigalistas ingleses que musicavam a poesia da época.

Música Barroca: A música barroca substituiu o estilo renascentista após o século XVII e dominou a música européia até cerca de 1750. Era elaborada e emocional, ideal para integrar-se a enredos dramáticos. A ópera era a mais importante novidade em forma musical, seguida de perto pelo oratório. A música italiana barroca atingiu o auge com as obras de Antônio Vivaldi.
O início do século XVIII foi marcado por dois grandes compositores: Bach e Haendel. A família de Bach era composta de músicos que atuaram do século XVI ao século XVIII. Dos 50 membros dessa família Johann Sebastian Bach foi o seu maior representante, deixando um legado de inúmeras e maravilhosas obras para a humanidade.
Nenhum estilo musical possui analogias tão nítidas com as artes plásticas como o Barroco. A música descobre a profusão de sons simultâneos como meio de alcançar o Belo. A linguagem tonal se firma como sustentáculo da polifonia. Trata-se de uma das épocas musicais de maior extensão, fecunda, revolucionária e importante da música ocidental, e provavelmente, também a mais influente.
Durante o período barroco, a música instrumental passou a ter importância igual à da música vocal. A orquestra passou a tomar forma no século XVII. O aperfeiçoamento dos instrumentos de corda, principalmente os violinos, fez com que a seção de cordas se tornasse uma unidade independente. Os violinos passaram a ser o centro da orquestra, aos quais os compositores acrescentavam outros instrumentos: flautas, fagotes, trompas, trompetes e tímpanos. Um traço constante nas orquestras barrocas, porém, era a presença do cravo ou órgão como contínuo, fazendo o baixo e preenchendo a harmonia. Novas formas de composições foram criadas como a cantata, fuga, a sonata para teclado, a suíte e o concerto.

Impressionismo: Na passagem do século XIX para o século XX, surgiram na pintura artistas que fundaram a corrente impressionista: Monet, Degas, entre outros. Esses artistas queriam passar impressões pictóricas tais como achavam que eram sentidas. Na música não tardaram a surgir compositores que tentassem realizar obras de caráter análogo (parecido). Sem dúvida o mais importante deles foi Claude Debussy, francês.

Música no século XX: O século XX foi marcado por avanços constantes no meio eletrônico de comunicação, os quais interferem continuamente na concepção musical. Um outro fato que precisa ser levado em conta é que a civilização já estava bastante adiantada nos países chamados “Novo Mundo” e esses, ajudaram a mudar bastante o panorama da música ocidental. Em linhas gerais a música no século XX é marcada pela ruptura generalizada em relação à música européia, que imperou até esse momento. Certamente a Europa não perdeu sua importância, mas viu-se obrigada a dividir terreno com a música americana e, inclusive, assimilou dela muitos ingredientes importantes.
O século XX presenciou o desenvolvimento de quatro aspectos importantes na História da Música:
● O Nacionalismo tornou-se marcante na música espanhola. Os compositores soviéticos dominados pelo governo comunista criaram uma perspectiva oficialmente anti-romântica, conhecida como realismo soviético. Os mestres húngaros escreveram obras inspiradas em canções folclóricas, mas com um estilo pessoal.
● Novos compositores americanos começaram a expressar idéias de vanguarda de muita importância na música do século XX. A América Latina produziu compositores muito importantes como o mexicano Carlos Chávez e o brasileiro Heitor Villa Lobos.
● No início do século XX surgiu o Impressionismo, criado na França por Claude Debussy e mais tarde com Maurice Ravel. O compositor russo Igor Stravinsky foi um inovador por excelência, criando vários estilos musicais. Suas criações levaram-no do nacionalismo e neoclassicismo até as composições dodecafônicas. Os primeiros balés de Stravisnky, especialmente A Sagração da Primavera, foram logo aceitos como clássicos contemporâneos.
● Os músicos acreditavam que já haviam esgotado todos os recursos do sistema tônica-dominante e sentiam que a música precisava de uma estrutura harmônica nova. Muitas inovações foram feitas e despertaram uma reação violenta de protesto, tanto do público como de compositores conservadores e críticos de música. Fizeram experiências de atonalidade e de politonalidade (duas ou mais tonalidades ao mesmo tempo).

Na década de 60 o nacionalismo deixou de representar uma força na música erudita. O mundo musical apresentava uma situação semelhante ao século XVII, quando estilos internacionais dominavam o cenário musical e compositores das mais diversas procedências e escolas podiam compartilhar os mesmos pontos de vista artísticos. Nos países comunistas, o realismo socialista ainda era o estilo oficial.
Alguns compositores continuavam a criar dentro dos conceitos de harmonia diatônica ou cromática. Ampliaram os limite4s do sistema harmônico de tônica-dominante, sem o destruir. Embora fossem combatidos por críticos e outros compositores, que os acusavam de conservadores, conseguiram obter o aplauso de um grande público amante da música. Vários compositores ocasionalmente omitiram o intérprete em favor da música eletrônica, que aumentou muito as possibilidades técnicas abertas ao compositor e à expressão musical.
Stockhausen e John Cage tornaram-se figuras importantes na criação e desenvolvimento da música aleatória ou improvisada. Ao contrário da música eletrônica, a música aleatória depende principalmente do intérprete. O compositor propõe alguns elementos rítmicos, harmônicos e melódicos e o intérprete a partir daí, cria sua própria interpretação. Por este motivo não existem duas composições iguais de música aleatória.
Assim como existem várias definições para música, existem muitas divisões a agrupamentos da música em gêneros, estilos e formas. Dividir a música em gêneros é uma tentativa de classificar cada composição de acordo com critérios objetivos que não são sempre fáceis de definir.

Uma das divisões mais freqüentes separa a música em grandes grupos:

    Música erudita - a música tradicionalmente dita como "culta" e no geral, mais elaborada. Seus adeptos consideram que é feita para durar muito tempo e resistir a modas e tendências. Em geral exige uma atitude contemplativa e uma audição concentrada. Alguns consideram que seja uma forma de música superior a todas as outras e que seja a real arte musical. No entanto esse pensamento é tipicamente ocidental, obsoleto e não leva em conta a imensa variedade de formas e funções da música nas mais diversas sociedades. Os gêneros eruditos são divididos sobretudo de acordo com o períodos em que foram compostas ou pelas características predominantes.

   Música popular - associada a movimentos culturais populares. É a música do dia a dia, tocada na festas, usada para dança e socialização. Segue tendências e modismos e muitas vezes é associada a valores puramente comerciais. É dividida em centenas de gêneros distintos, de acordo com a instrumentação, características musicais predominantes e o comportamento do grupo que a pratica ou ouve.

  Música folclórica ou tradicional - associada a fortes elementos culturais de cada sociedade. Normalmente são associadas a festas folclóricas ou rituais específicos. Pode ser funcional (como canções de plantio e colheita ou a música das rendeiras e lavadeiras). Normalmente é transmitida por imitação e costuma durar décadas ou séculos. Incluem-se neste gênero as cantigas de roda e de ninar.

   

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